PRIMEIRA FASE: 2012 - 2024

Observatório de Remoções

O OR foi formalmente criado em 2012 por pesquisadores da USP, construindo um mapeamento colaborativo de remoções e ameaças em São Paulo, em rede com ONGs, advogados populares e movimentos sociais envolvidos em situações de ameaças de despejos coletivos.

Entre 2015 e 2024, o apoio da Fundação Ford permitiu expandir essa atuação para a Região Metropolitana de São Paulo e outras metrópoles, articulando laboratórios de universidades como UFMG, UFC, UFBA e UFF. Nesse período, o projeto passou a observar mais de perto os processos de reestruturação dos territórios populares, reconhecendo não só a entrada de regimes de controle territorial armado, mas também novas formas de produção e gestão desses espaços. Desde 2020, o OR integra a Campanha Despejo Zero, articulação nacional de monitoramento de despejos que, durante a pandemia de Covid-19, obteve no Supremo Tribunal Federal a suspensão de despejos no país (ADPF 828). Também desde 2020, o Observatório conta com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo em diferentes projetos, o que ampliou suas relações e redes no campo internacional.

2012
Criação do Observatório de Remoções
Mapeamento colaborativo de ameaças de remoção e despejos na cidade de São Paulo.
Parceiros:
LabHab / FAUUSP
2014
Expansão para além de São Paulo
O mapeamento de remoções alcança a Região do Grande ABC e Foz do Iguaçu.
Parceiros:
LabJUTA / UFABC UNILA
2017
Escala metropolitana e ação territorial
Mapeamento em 10 municípios da RMSP.

Incorporação da base de dados de despejos do TJSP.

Início da ação territorial nos Campos Elíseos.

Realização da oficina internacional Evictions, Resistances and Territorial Interventions.
Parceiros:
Fórum Aberto Mundaréu da Luz Fundação FORD Sesc
2018
Rede interinstitucional de pesquisa
Consolidação de uma rede nacional de pesquisa sobre territórios populares. Acordo de cooperação com o Ministério Público do Estado de São Paulo.
Parceiros:
Praxis / UFMG UFBA LEHAB / UFC Fundação FORD
2020
Campanha Nacional Despejo Zero
Monitoramento dos despejos durante a pandemia e produção dos dados que sustentaram a ADPF 828 no STF.

Termo de cooperação com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Campanha Despejo Zero.
Parceiros:
Campanha Despejo Zero Fundação FORD
2021 — 2025
Mercantilização e violência nos territórios populares
Mapeamento dos impactos da mercantilização e da violência em territórios populares.
Parceiros:
Praxis / UFMG Lugar Comum / UFBA GENI / UFF LEV / UFC Fundação FORD Fundação Rosa Luxemburgo
2022
10 anos do Observatório de Remoções
Uma década de mapeamento colaborativo marcada por Seminário Internacional.
Parceiros:
Fundação Rosa Luxemburgo
2023
Nova plataforma de dados
Atualização da plataforma de visualização de dados, com inclusão das sentenças do TJSP sobre despejos e conflitos de posse.
Parceiros:
TJSP Fundação Rosa Luxemburgo
2024
Encerramento da Fase 1
Encerramento da primeira fase do Observatório de Remoções.

Seminário: "Disputas e Resistências no Centro de São Paulo: rupturas e permanências".

Seminário: "Tijolo, bala e violência".
Parceiros:
Rede Campos Elíseos Vivo: Reconstruir sem Destruir Fundação Rosa Luxemburgo
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Observatório de Remoções 2012 - 2024: Metodologias e Bases de Dados

O mapeamento colaborativo das remoções e ameaças se divide em duas frentes principais, com três resultados:

 


MÉTODOS
Mapeamento
colaborativo

Mapeamento de remoções por denúncia, clipping, pesquisa de campo e leitura de dados oficiais

Levantamento
quantitativo

Leitura do Banco de Sentenças em primeiro grau do TJSP. Os casos são filtrados para incluir apenas sentenças que mencionem endereços ou terrenos.

RESULTADOS
Remoções coletivas

Remoções e ameaças de remoção coletivas, de diversas naturezas, com informações qualitativas sobre os atingidos, agentes promoventes, justificativas mobilizadas e afins.

Conflitos de posse

Sentenças relacionadas a reintegrações de posse, esbulho, turbação e ameaça, coletivas e individuais.

Conflitos de aluguel

Sentenças relacionadas a despejos e cobrança de aluguel.

 

Como todo método, o Mapeamento Colaborativo das Remoções possui algumas limitações que devem ser consideradas na reprodução de seus dados. As análises qualitativas aqui reportadas foram obtidas a partir de múltiplos métodos e fontes de dados. Esse levantamento prescinde de uma cobertura completa: o resultado não contém e nem pretende conter todo o universo de processos de remoções na RMSP para atender seus objetivos. Como consequência, os dados registrados não fornecem a escala absoluta das remoções, nem podem ser usados para verificar sua intensificação ou relaxamento – visto que limitações de alcance das próprias ferramentas de registro do processo podem interferir na leitura. 

A partir disso, o Observatório de Remoções tem como objetivos: a) identificar e compreender, em diferentes escalas, os impactos proporcionados pelas remoções e ameaças; e (b) sistematizar e compartilhar informações para fortalecer a resistência dos atingidos contra políticas e projetos urbanos que implicam em processos de despossessão e violação de direitos. 

 

 


 

Linha do tempo

Os resultados do mapeamento coletivo foram compilados até junho de 2023, e o levantamento quantitativo foi compilado até janeiro de 2024.

 
 
 
 
 

Remoções coletivas


A série histórica do Mapeamento Colaborativo das Remoções reforça também a tese de que existe uma dinâmica sistemática de despossessão na metrópole que mantém milhares de famílias em constante situação de insegurança habitacional, como destacamos em O ciclo vicioso das remoções na metrópole paulista.

A pandemia de COVID-19, decretada em março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um marco recente para o mapeamento das remoções, em virtude dos períodos de suspensão das desocupações pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, violando recomendações nacionais e internacionais, o deslocamento forçado de pessoas continuou sendo realizado por agentes públicos e privados, e os conflitos fundiários, mesmo diante de um cenário de emergência sanitária, foram acirrados, como indicaram nossos levantamentos da época. 

O número de casos de remoções não foi ainda maior por conta de articulações locais de resistência aos processos de despossessão, como a Campanha Despejo Zero, principalmente. Lançada em julho de 2020, a iniciativa foi  fundamental para que o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferisse, no ano seguinte, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828. O instrumento jurídico, ajuizado pelo PSOL, suspendeu, de junho de 2021 a outubro de 2022, medidas administrativas ou judiciais que resultassem em despejos, desocupações, remoções forçadas ou reintegrações de posse de natureza coletiva em imóveis que sirvam de moradia ou que representavam área produtiva pelo trabalho individual ou familiar de populações vulneráveis. 

Ao longo do período em que esteve em vigência, a ADPF 828 teve o efeito de suspender uma série de remoções, mas ela também foi marcada pelo descumprimento por parte de agentes públicos de governos e do judiciário paulista, de acordo com o levantamento do Observatório de Remoções.  

As atualizações mais recentes indicam que, neste momento, o centro de São Paulo é o epicentro dos conflitos em torno da moradia, que acontecem em meio ao “regime de transição” estabelecido pelo STF, em outubro de 2022, diante do fim da suspensão das desocupações coletivas. O quadro que se anuncia é de retomada das remoções sem qualquer amparo às famílias atingidas.

Confira: Frente de expansão imobiliária no Centro de São Paulo intensifica a expulsão de não proprietários

Com relação aos dados colaborativos (denúncias), nos últimos anos tem sido cada vez mais frequente o compartilhamento de relatos por meio das redes sociais do LabCidade e parceiros. O canal oficial para o registro de denúncias de ameaças de remoção segue sendo o formulário disponibilizado aqui e o número de WhatsApp do Observatório de Remoções (11) 911 449 587.


Conflitos de posse


* Destaque para o número de processos abertos em 2020, primeiro ano da pandemia de COVID-19, e julgados procedentes ou homologados em 2021 – um total de 714 processos, o segundo maior volume da série histórica –, apesar do estado de emergência sanitária e de vigência da ADPF 828.


Conflitos de aluguel


 

 

 

 

 

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