Praça Central da Cidade Universitária - USP Butantã
Foto aérea da Praça Central do Campus Butantã da USP com vista da Praça do Relógio e da Reitoria. 2022/09/01. Foto: Felipe Seriacopi/USP Imagens.

Depois de um processo longo e participativo ao longo de 2024, o Conselho Universitário da USP aprovou o novo Plano Diretor do Campus Butantã, que traz as diretrizes para a transformação do Campus para os próximos dez anos, quando a USP completará seu centenário. O documento, focado sobretudo na infraestrutura e uso e ocupação do solo, busca enfrentar os desafios pautados pela mudança climática, repensando a concepção urbanística da era carbocêntrica. 

Segundo a prefeita do Campus Butantã Raquel Rolnik, que juntamente com o presidente do Conselho Gestor Ricardo Trindade e o superintendente do Espaço Físico da USP Miguel Buzzar foram os responsáveis pela coordenação do Plano, “todo o processo mobilizou mais de 3.500 participantes em oficinas participativas e contribuições online, tanto na fase da leitura crítica da situação atual quanto na fase propositiva”.

“A partir de uma leitura técnica que envolveu mais de cem pessoas entre professores, pós-doutores, graduandos e pesquisadores em oito grupos de trabalho, obtivemos uma avaliação crítica da situação atual, mas também houve todo um processo participativo envolvendo o conjunto da Comunidade USP e usuários do Campus”, explica Rolnik. 

 

MUDANÇA DE MATRIZES

Mapa Caminhos e Encontros: Plano Diretor do Campus Butantã

 

Mapa Campus Parque, Plano Diretor do Campus Butantã

O modelo pensado para a Cidade Universitária, cujo campus começou a ser construído nos anos 1940, mas teve grande impulso nos anos 60 e 70, foi um modelo totalmente dependente de combustíveis fósseis, com inspirações modernistas e uma matriz rodoviarista: construções espalhadas com uma circulação dependente de deslocamentos em automóveis, ônibus e caminhões. O projeto e a dispersão das construções são exemplos de decisões que ainda influenciam o campus.

Mas este modelo enfrenta hoje contradições: tanto por que os espaços vazios foram sendo ocupados por árvores e animais (hoje o Campus conta com 33.000 árvores e 1.600 espécies de animais), transformando a área numa espécie de parque multiespécies, mas também porque atualmente o campus acolhe diariamente cerca de 70.000 usuários, dos quais 62% utilizam transporte coletivo, sendo que 70% dos estudantes depende desse meio.

Desta forma, a leitura crítica do plano trouxe temas como a água de forma inovadora: “temos oito nascentes no campus, nós temos que mudar completamente nosso sistema de drenagem permitindo muito mais jardins de chuva, muito mais soluções baseadas na natureza, muito menos asfalto”, explica Rolnik. O Plano introduziu uma visão da circulação a partir dos pedestres e bicicletas, “pensando no conforto das pessoas, mas também nos espaços livres como espaços de convivência e estar, e não apenas passagem”, complementa a prefeita do Campus.

Grupos de trabalho discutem a elaboração do Plano Diretor do Campus Butantã da USP.

Vídeo do Plano Diretor – Consolidação das propostas

Os documentos elaborados em atividades nos Grupos de Trabalho, Workshops e outros materiais, como a consolidação das propostas, transmissões em vídeo de reuniões plenárias e mapas elaborados por equipes técnicas, estão disponíveis em uma plataforma online (https://planodiretor.cb.usp.br/), que articulou a participação da comunidade USP.

Confira abaixo o vídeo com a consolidação das propostas do Plano Diretor.