Atualmente (2024-2029) o projeto encontra-se em uma fase financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo), através de um Projeto Temático interdisciplinar dirigido e integrado por pesquisadores de Estatística e Ciência da Computação do IME, Faculdade de Direito, Sociologia da FFLCH, Climatologia do IAG/IEE, além da FAU.
Nesta fase, o OR pretende identificar e mapear populações e territórios em risco de perda da moradia, mas também analisar as múltiplas dimensões da mobilização da categoria "risco" como dispositivo de intervenção socioterritorial e mecanismo de remoção no contexto atual da confluência das mudanças climáticas e da crise habitacional.
O impacto destes riscos é mediado pelas dinâmicas entre agentes estatais (política urbana, sistema de justiça, legislativo e forças policiais), agentes imobiliário-financeiros, e as formas de organização dos atingidos e suas redes de apoio.
Relacionado diretamente ao meio físico e às vulnerabilidades geoambientais.
Associado à precariedade e à instabilidade física do meio construído.
Decorrente do aumento do valor do solo urbano, relacionado a obras e projetos de intervenção e pressões imobiliárias.
Estruturado a partir da fragilidade dos vínculos jurídicos não proprietários de moradia, analisando como a regulação, a normativa e os procedimentos envolvidos nas remoções se articulam a essa condição.
Ligado à precariedade do trabalho, perda de renda, processos de endividamento e inadimplência.
Determinado por marcadores sociais de desigualdade, como gênero, raça, classe e nacionalidade.
O projeto enfrenta o desafio científico de integrar metodologias de distintas disciplinas para compreender um fenômeno de alta complexidade socioterritorial. Para isso, combina ferramentas avançadas de ciência de dados e métodos quantitativos com pesquisas qualitativas baseadas na etnografia e na pesquisa-ação. O cronograma de trabalho está estruturado em fases paralelas para ambas as escalas:
Inicia-se com uma etapa exploratória para identificação de técnicas de análise e prospecção de bancos de dados governamentais e judiciais, avançando em seguida para a consolidação dos georreferenciamentos, leituras interseccionais e processamentos geoestatísticos.
Parte de estudos exploratórios em situações críticas já mapeadas pelo laboratório, avançando para a identificação de novos territórios revelados pelo mapeamento metropolitano, culminando no trabalho de campo, observação etnográfica aprofundada e mapeamento colaborativo.
O desenvolvimento do projeto temático prevê produtos acadêmicos, técnicos e comunicacionais estruturados para incidir na formulação de políticas públicas e no debate na sociedade, incluindo:
Dimensionamento e mapeamento detalhado das populações e territórios em risco de perda da moradia na RMSP, evidenciando as sobreposições de formas de insegurança habitacional
Artigos, livros e relatórios críticos sobre o conceito de "risco", os contextos contemporâneos de insegurança habitacional vinculados a agentes informais ou à margem do Estado, o papel do sistema de justiça nos conflitos de posse, e o impacto dos métodos de mineração de dados na pesquisa urbana, entre outros.
Realização de seminários científicos periódicos com os membros do Conselho Consultivo do projeto (Advisory Board) e outros pesquisadores, workshops metodológicos abertos e uma Summer School (Escola de verão) internacional para doutorandos com foco na intersecção entre crise habitacional e mudanças climáticas.
Articulação de parcerias para a consolidação de uma rede latino-americana e global de observatórios de remoções.
O Observatório de Remoções integra o Grupo de Trabalho Regional sobre Despejos, articulação latino-americana de organizações, redes, observatórios e universidades dedicados à pesquisa, monitoramento e defesa do direito à moradia frente a despejos e deslocamentos forçados.
Ver tudo